quarta-feira, agosto 15, 2007

Eu, me, mim, comigo - Por Ticcia

Às vezes - muitas vezes -, quando eu não sei o que dizer, essa moça que nem me conhece e nunca me viu e que parece ter uma vida tão diferente da minha, vai lá e fala por mim. Ticcia, vou roubar seu post inteiro, ok? Com todos os seus créditos, sure.


Eu, me, mim, comigo.

E você quer o quê, afinal? O que quer da vida, dos dias, de tudo que lhe resta? Eu aqui quero ser feliz. Feliz na minha mais peculiar acepção de felicidade, diga-se. Quero superar algumas das minhas limitações e encontrar desculpas convincentes - para mim mesma - acerca das demais. Quero melhorar no que for possível e justificar a contento todo o resto, a bem da minha própria, exuberante e aberrante humanidade. Por que lá no fundo, meus amigos, não pretendamos nos enganar, o que a gente pode mudar em si é muito, muito pouco mesmo. O grande trabalho é amar desvairadamente quem nós realmente somos – incluindo aquelas limitações e monstruosidades para as quais vamos ter de achar ótimas e sólidas justificativas. Quero ser feliz, sim, e isso inclui amar e lutar pelo amor de quem eu amo com todas as armas, de todos os jeitos, por todos os meios, de todas as formas e não desistir até que, enfim, o amor desista de mim. Porque aí, claro, não tem jeito. Então quero a paz de ter tentado, sempre. Quero o sossego de concordar comigo mesma, de ser minha melhor aliada, de agir exata e inderrogavelmente da forma que eu quero agir, a despeito de convenção, esperado, recomendável, do que diz o manual, a bíblia, o código, a lei. Quero poder decepcionar os outros, ah sim, mas manter-me fiel a mim mesma e sincera sobretudo e com todos. Quero entender do que preciso, o que vem de dentro e quero a força para deixar o que quer que destoe pelo caminho. Quero poder dizer que não, quando é não que eu queria mesmo dizer, olhando nos olhos da contrariedade e mostrando acima de tudo coerência. E também quero poder mudar de idéia, de caminho, de rumo, de opinião, de sentimento, de vida, sem virar refém de qualquer precedente, com o compromisso único de ser feliz, doa a quem doer, porque suponho que sacrificar a felicidade pelo outro é a pior espécie de egoísmo: é entregar o pior de si.

4 comentários:

Anônimo disse...

Do caralho!

Priscilla Foggiato disse...

É. Mas não fui eu. Talvez um dia rs.

angela smaniotto disse...

hmmm... isto me fez lembrar de um texto da clarice, pera... vou lá pegar...

ó:

"No desejo de não mentir ela lhe diria: eu não te amo. Mas parecia saber algo mais: que o amava, que o amava. Só que era como se as coisas do mundo não fossem feitas para nós, só que era como se tivéssemos que transigir com aquilo para o qual no entanto nascemos, só que de súbito era como se o amor fosse a desesperada forma canhestra que o viver e o morrer tomam, só que era como se até mesmo nesse momento o absoluto nos desamparasse; e a verdade para sempre intransmissível que havia no seu coração era o peso com que amamos e não amamos. E no entanto, para isto tudo, a solução era exatamente o amor." (Clarice Lispector, A Maçã no Escuro)

texto muito bom. parabéns pras duas!

=)

Priscilla Foggiato disse...

Angelita, acho que isso diz mais sobre nós mesmas (ou só eu?? rs) do que sobre o texto que eu emprestei da Ticcia :).
De qualquer forma, bebem na mesma fonte - eu, você, Ticcia... Clarice é absurdamente precisa.