segunda-feira, maio 08, 2006

(Vãs) Tentativas de compreensão do "nada"

Das palavras trocadas tardes adentro com quem está no mesmo barco:

- Não há mais nós até segunda ordem. depois da incompreensão, veio um pedido para que eu não mais a veja, procure ou atenda. não me encaixo nas necessidades dela, nos planos. acho que não me encaixo em nada, só no corpo. e esse ela pretende manter a distancia em prol de coisas mais sólidas... sei que as saudades vão vir matando em horas incertas. mas não pretendo deixar doer demais. até agora estão contidas no saber da impossibilidade, no lembra-la tão triste ultimamente

- Eu tô muito cansada dessas historias de pessoas que se amam não conseguirem ficar juntas

- Acho que é o que mais acontece ultimamente, descobrimos que o amor não é cura para tudo. amamos, mas continuamos doentes

- Sim, aprendi isso muito cedo, que o amor não é a resposta pra tudo. e deus, como eu queria que fosse

- Gostamos de planejar pela segurança que isso nos dá. mas futuro, planos, sonhos são coisas que não existem

- Eu não consigo pegar leve. fico aqui, trabalhando e chorando na frente do computador, sabendo que o que está feito é o melhor a se fazer, me doendo por tanto amor de todos os lados sendo disperdiçado

- Como ficamos tanto com os futuros e passados e tão pouco com o presente? estranho mesmo isso. mas é o que somos

- É exatamente isso. nessa história, somos uma coleção do que fomos e do que podíamos ter sido. e quando eu verbalizei isso em um "não tenho nada", acabei por assinar minha sentença

- “Não tenho nada”?

- É. numa conversa, eu disse que eu não tinha nada a não ser o meu amor, o que eu sentia por ele. que não havia passado nem futuro, só planos e abstrações. eu nunca consegui me fazer entender nesse "não tenho nada". não me referia ao que ele tinha feito por mim, às coisas das quais abrimos mão ou pelas quais lutamos juntos, contra ou a favor. não era isso

- Eu te entendi. esse “não tenho nada” foi o mesmo que eu mostrei por aqui. não encaixava com planos mais sólidos

- Aqui tudo encaixava. só não acontecia.

- Não sei o que é píor.

Um comentário:

Angela Smaniotto disse...

como dizia clarice lispector: "não se preocupe em entender; viver ultrapassa todo o entendimento".

beijos pra vc, menina!