quarta-feira, maio 17, 2006

As verdades maiores

Ele me segurou pela nuca, os dedos entrelaçados em meus cabelos, puxando de leve (mais de leve do que eu gostaria), distanciou-se do beijo e, como quem não admite recusa, com a urgência de quem prende na respiração o instante seguinte, disse muito sério:

- Olha nos meus olhos.

Eu olhei.

Primeiro vi um céu que não era azul escuro, mas de um verde profundo que continha todas as estrelas, os planetas, os asteróides e os cometas, todas as constelações e os outros sistemas planetários do universo, todos visíveis a olho nu. Todos ao meu alcance.

No milésimo seguinte, vi um mundo de florestas, árvores e naves espaciais, contos de fadas, duendes, robôs e ficção científica. O que já existiu e o que ainda vai ser de uma só vez.

Por fim e muito rápido, pude ver uma casa com jardim imenso num dia de sol, uma família e os filhos que eu teria em alguma outra vida.

E então ele gozou.

6 comentários:

Matias disse...

Fuckin' great!

Priscilla Foggiato disse...

Or a great fuck rs ;)

davidson disse...

"fuckin' great"... rs
miss you

I Am Evil disse...

maravilhoso. Adoro uma pequena estória que consegue transmitir muito conteúdo: é como ver uma bela paisagem por uma janela, o que dá perspectiva.

angela disse...

isso daria um curta-metragem ótimo!
=*

danilo disse...

simples e intenso. como deve ser. muito bom.