sábado, abril 01, 2006

Quadro de recados

Lá fora, quando eu vinha chegando de ônibus, estava um céu azul belíssimo. E eu me senti um pouco menos triste, um quase quase alegre, porque talvez houvesse uma possibilidade de que eu conseguisse me descolar do que sinto e não me identificasse mais com a emoção; porque eu não chorava já havia algumas horas. O dia estava bonito e eu quase sorri pensando na possibilidade de me enganar e acreditar que talvez assim é que seja certo, que esteja certo, e que talvez eu já tenha chorado tudo.

Horas e um litro e meio de água depois, ainda sem comer, o nó na garganta veio com fúria leonina quando, ao ler os quadrinhos da Folha, me peguei repetindo um gesto muito característico teu. Um jeito de rir que não é meu, que sai abafadinho da garganta e não explode em riso, como eu faria do meu jeito. Um riso de quem acha a coisa só engraçadinha e que eu nem sei imitar voluntariamente. Uma daquelas peças que o inconsciente nos prega: o mimetismo natural que acontece entre casais que se amam.

2 comentários:

Marcelo Deguchi disse...

Ótimo Priscilla:) Fragmentado como eu gosto heheh


Parabéns pelo novo espaço!
um bjo!

Marcelo disse...

Hakuna Matata!!!
Espero q esteja melhor!
Saudades...