terça-feira, março 07, 2006

Sobre o Oscar...

As mesmas histórias estão acontecendo o tempo todo. No meu email, no seu carro, na cama de uma terceira pessoa: alguém está amando, esquecendo, perdoando, enganando, se dedicando, escondendo, mentindo, se entregando, desejando, indo, voltando, esperando. Escrevendo. As histórias se repetem e nós nos revezamos nos poucos papéis que nos apresentam.

Se não são diferentes na vida real, quem dirá em Hollywood. Baseado na teoria dos arquétipos no inconsciente coletivo descritos por Carl Jung, Joseph Campbell escreveu O Herói de Mil Faces, livro que, por alguns meses, te faz enquadrar tudo sempre no mesmo contexto com base no herói mitológico. Cada um em seu papel: Shrek, princesa, burro, lobo mau, maçã, King Kong.

Há os que nos fazem rir, há os que fazem gozar. Há histórias que viram livros – romances bons, romances ruins, graphic novels; há as que viram papel de embrulhar peixe. Tem as cujos originais voam com o vento em direção ao lago: memórias para sempre esquecidas, jamais publicadas, perda de tempo. Há as que nos fazem chorar e até as que nos ensinam a aceitar. Não o aceitar de engolir seco, resignado, mas o aceitar de compreender o outro, mesmo que nos escape a compreensão de suas razões. Acolher nos braços sem perguntas.

No fim do ano, você aí pensando em balanços e resoluções. Não questionarei, cada um na sua e, no fim das contas, acho que balanços são válidos, Já cheguei realmente a colocar alguns no papel, contar as minhas histórias.

Contos de fada, realismo fantástico, novela mexicana, cinema mudo, não importa a definição ou o rótulo: você é um montão de histórias, são elas que constroem a sua. E exatamente por isso chega a ser curioso como tantas histórias que se repetem formem indivíduos que não aprendem, como os ratinhos de laboratório que levam choques naquelas experiências.

A história se repete. Você já viu esse filme, a piada é velha. Mas você fica, na esperança de que dessa vez ele mude no final. Até tenta resistir, agir diferente. Mas a história está lá, inexorável, e te espreita. É impressionante como num mundo com tanta gente, existam tantos querendo dirigir e tão poucos para escrever novos roteiros.

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